By Ana Bailune
"Toda a arte é completamente inútil." -  Oscar Wilde
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O HOMEM MAIS FELIZ DO MUNDO


Meu marido tem um amigo de infância, que mora ainda no mesmo bairro onde ambos cresceram. Costumo chamá-lo de "O Homem Mais Feliz do Mundo." Eu o conheço apenas superficialmente, desde os tempos em que eu e meu marido começamos a namorar. Dei a ele este apelido porque ele é uma pessoa que está sempre sorridente, e espalha entusiasmo aonde quer que vá. Sabe aquela pessoa que, a qualquer momento do dia ou da noite, ao encontrar você na rua, abrirá um enorme sorriso e o cumprimentará com entusiasmo, fazendo com que você se sinta animado - mesmo que esteja triste? É ele: O Homem Mais Feliz do Mundo.

Ele não é rico. Não dirige um carro do ano. Não trabalha em uma multinacinal, nem é um entrepreneur. Não é muito bonito, nem vive cercado de mulheres. Leva uma vida simples, morando próximo à família no mesmo bairro onde nasceu e está constantemente rodeado pelos amigos de sempre. Que eu saiba, ele nunca viajou muito, e não parece ser o tipo de pessoa que estudou muito ou teve acesso à cultura e aos livros. Mas parece que ele descobriu alguma coisa muito especial sobre a vida, talvez algo que ele nem sequer parou para pensar no que possa ser, mas que ele entende assim mesmo.

Eu o admiro, e confesso que até invejo um pouquinho a sua capacidade de estar sempre bem. 

Recentemente, ele perdeu um irmão da maneira mais dolorida: câncer de pulmão. Passamos por ele de carro, e paramos um pouco para conversar. Meu marido deu-lhe os pêsames pela perda do irmão, e ele deixou que por um momento - mas um momento bem curto - a tristeza fizesse uma sombra em seus olhos. Depois, encolheu os ombros e disse: "É difícil, mas o que a gente pode fazer, não é? Fiz tudo o que pude, fiquei ao lado dele. Ele sofreu muito, mas agora, o sofrimento acabou." E deu mais um dos seus sorrisos.

Pensei: Esse cara é sábio. Não cultiva sofrimentos. Não se apega a quem se foi, e nem gosta de estender-se em detalhes tristes. A sua pergunta: "O que a gente pode fazer?" Já responde tudo: não deveríamos nos aborrecer diante do que não podemos mudar. O importante, é que na hora em que ele pôde fazer alguma coisa, ele fez: ficou ao lado do irmão e ajudou-o a morrer. 

Mas logo depois, respirou fundo e seguiu em frente. Ah, eu espero que um dia eu aprenda a ser assim... mas acho que estou no caminho.


Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 17/03/2017
Alterado em 17/03/2017


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