By Ana Bailune
"Toda a arte é completamente inútil." -  Oscar Wilde
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DINÂMICAS DE GRUPO


Texto inspirado pelo do amigo Aragon Guerrero, "Autoajuda."
 

Pode ser que existam algumas dinâmicas de grupo que sejam boas e produtivas, mas infelizmente, não tive a chance de participar de nenhuma delas – e olhe que eu já participei de algumas...
De repente, recebemos a notícia de que seriamos visitados por um pequeno grupo de profissionais cuja missão seria analisar nosso comportamento, e através desta análise, descobrir o que havia de errado na empresa onde trabalhávamos. Ficamos apreensivos: haveria demissões? Que tipo de análise seria feita? 

E por que será que quando um negócio mal administrado começa a dar errado, a culpa é sempre dos funcionários?

Chegou o grande dia, e fomos levados até a maior sala do local, todos quietinhos, só observando; foi quando a  moça anunciou:

“Vamos iniciar uma dinâmica de grupo. Todos vocês devem pegar um balão, um lápis e um pedaço de papel. Vocês escreverão neste papel uma mensagem sobre alguma coisa íntima que os esteja perturbando no momento. Não assinem, e usem letras de imprensa. Não se preocupem, pois vocês não serão identificados. Após escrever a mensagem, dobrem-na e coloquem dentro do balão após enchê-lo. Finalmente, todos devem jogar os balões para o ar.”

Obedecemos. Lembro-me que, naqueles dias, não havia nada que estivesse me preocupando muito, e acabei escrevendo sobre algo sem importância. Segunda etapa: cada um pegaria um balão aleatoriamente, e furando-o, leria a mensagem em voz alta. A cada mensagem lida, as pessoas presentes sugeriam “soluções” ao problema apresentado. E ao final de cada leitura – pasmem! – a profissional nos convidava a tentar identificar o autor da mensagem!

Foi um constrangimento geral. Ninguém estava pronto para ter sua vida particular invadida daquela forma. Mas o “exercício” prosseguiu:

Ela entregou a cada um uma bala, e anunciou:

“Vocês devem tentar comer a bala sem usar as mãos.” 
Um espertinho observou: “Mas ela está embrulhada!”
Ela afirmou: “Sua missão é encontrar uma saída para o problema. Não podem usar as mãos!”

Logo percebi qual era a intenção dela: queria que pedíssemos ajuda uns aos outros, embora aquilo não tivesse sido mencionado. Assim, as pessoas abririam as balas umas das outras, provando que quando trabalhamos em grupo, os problemas se solucionam mais facilmente. Eu já tinha lido sobre aquilo na internet, e a maioria das pessoas também, pois a reação foi instantânea. Logo estavam abrindo as balas uns dos outros, com os olhinhos marejados, e usando as mãos.

Coloquei a bala toda dentro da boca, com papel e tudo, e
consegui remover o papel com a língua e os dentes. Ela disse:

“Mas não era isso que eu queria! Não foi isso que eu pedi para você fazer!”

Respondi: “Você disse que nossa missão era comer a bala sem tocá-la. Acho que só eu cumpri minha missão!”

E acabei com a dinâmica de grupo.

Algumas dinâmicas de grupo – pelo menos, as que eu participei – são um verdadeiro insulto à inteligência das pessoas, e nada provam, além de serem clichês facilmente encontrados em sites da internet.  Em uma outra ocasião, a dinâmica caiu para “o lado místico da coisa em si.”

A profissional me pediu para colocar uma música – ela tinha vários CDs de música suave na sala – e escolhi uma ao acaso, uma canção dos anos 60 daqueles grupos meio-hippies que eu gostava muito. A música começou a tocar, e de repente, me assustei com um grito: “TIRA ESSA MÚSICA AGORA!!!”
Com o coração ainda aos pulos, perguntei: “Por que?” 

E uma das minhas colegas, que estava passando por problemas em seu relacionamento, anunciou: “Esta é a música que tocou no meu casamento!” Pedi desculpas e disse que eu não fazia ideia, mas ela ficou chateada comigo. No final da dinâmica, deveríamos abraçar, durante um longo tempo, a pessoa que estava na nossa frente. Adivinhem só quem eu tive que abraçar? E ela chorava...

Abraços são trocas de energia. Para abraçar alguém, é preciso que haja um contexto, um motivo. Abraçamos as pessoas que amamos, e também as pessoas que chegam às nossas casas, como uma forma de cumprimento e acolhimento. Abraços devem ser atitudes espontâneas, e não programadas ou ordenadas por outrem. Abraços devem ser verdadeiros. Aquele, foi constrangedor. Não me senti à vontade. 

Enfim: cada cabeça, uma sentença. Mas eu não gosto de dinâmicas de grupo.


 
Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 23/08/2017
Alterado em 23/08/2017


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