By Ana Bailune
"Toda a arte é completamente inútil." -  Oscar Wilde
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Uma tarde em Como
 
Visitar Como foi como estar, de repente, em um cenário de cartão postal. A gente não sabe para onde olha, e não consegue decidir o que é mais encantador: se o lago de Como, as casas antigas, as ruas arborizadas, a atmosfera antiga e mágica... naquele dia, éramos quinze pessoas no grupo, e fomos todos de trem de Milão para Como.


Chegando lá, fomos em um passeio de barco imperdível pelo lago, no qual tentei, ao mesmo tempo, acreditar que estava realmente ali, enquanto fotografava, filmava e ficava maluca com tantas paisagens deslumbrantes. De verdade, a gente não sabe para onde olhar, e querer captar o máximo possível de imagens com a lente da câmera, mas sobretudo, com a lente do coração, para não esquecer jamais.


Antes do almoço, estávamos passando por uma loja de departamentos no centro, indo em direção a uma igreja que iríamos conhecer, quando alguém olhou na vitrina e anunciou; “Gente! Olhem só que promoção! Compre três peças de qualquer valor e pague apenas 1 euro na terceira peça!”  Foi o suficiente para que entrássemos na loja e passássemos a vasculhar prateleiras, entrar e sair de cabines, encher os braços de lenços e echarpes lindíssimos que estavam à venda, enfim, quase deixamos as funcionárias da loja malucas. Acho que elas devem ter dado graças depois que saímos... duas horas depois, já que estava ficando tarde, esquecemos a igreja e decidimos que seria melhor conhecer a parte alta da cidade, que acessamos através de um teleférico.

Maravilhoso! A vista era simplesmente deslumbrante! Do teleférico, nós olhávamos lá para baixo e era como se a cidadezinha e seu lago estivessem em um postal. Nunca pensei que um dia conheceria um lugar tão lindo. Acho que é o lugar mais lindo que já visitei.

Quando chegamos lá em cima na parte alta e saímos do teleférico, a segunda parte do encantamento começou. Mal pusemos os pés no chão, um sino começou a tocar. Era um sino de igreja, e ele tocava uma música linda. O sol estava se pondo – eram quase seis da tarde – e a maioria dos turistas já tinha ido embora. Estávamos praticamente só nós lá em cima, e os moradores. Tirei fotos lindas! Felizmente, gravei essa chegada, a parte na qual o sino estava tocando e as badaladas logo depois.



Para mim, foi como se alguém me dissesse: “Viu? Você está aqui! Vocês conseguiram! Sonhos acontecem!” 


Continuamos subindo a ruazinha à pé, e chegamos a uma igreja lá no alto. Eu entrei nela, pensando que tinha sido dali que os sinos tinham soado. Quando entrei, ela estava escura e vazia, e uma música sacra vinha de algum lugar, bem baixinho. Apenas o altar estava iluminado, e fui me aproximando dele devagarinho, sentindo o clima de paz e silêncio exalado pelo lugar.

Em pouco tempo, meus olhos se acostumaram à escuridão, e pude notar a beleza das pinturas no teto e nas paredes, a riqueza das imagens e demais detalhes.
Não sou uma pessoa religiosa, e geralmente, não gosto de igrejas e templos. Mas lá estava eu, e havia um motivo por trás de tudo aquilo. Eu senti que não estava ali por acaso. Era como voltar para casa após muitos e muitos anos longe. Então eu me sentei e agradeci.



Quando dei por mim, estava chorando feito criança, mas de alegria. Eu não estava sozinha naquela igreja, e disso eu tenho a mais absoluta certeza. Só quem viveu uma experiência assim saberá do que eu estou falando.
Quando saí, abracei meu marido e disse a ele o que tinha acontecido. Então ele me confessou ter tido a mesma experiência, minutos antes.

Ainda tivemos tempo de fazer um amigo – um gato amarelo e branco, muito manso, que estava pelos arredores da igreja, com quem brincamos e tiramos fotos. O engraçado, é que semanas antes da viagem, meu marido me disse que ele tinha tido um sonho estranho: brincava com um gato, que fugia dele e dava-lhe tapinhas com a pata, mas sem arranhá-lo. Aquele gato fez exatamente aquilo! Enquanto meu marido tentava se aproximar, ele entrava e saía de um vaso de planta, escondendo-se entre as folhagens e depois aparecendo de repente, dando patadas no meu marido.

Pena que nosso tempo era curto, e deveríamos ir embora logo, pois tínhamos um trem a tomar. Mas uma parte de mim ficou naquela igreja, voando sobre a superfície daquele lago, pairando sobre aquelas montanhas, vagando feito um fantasma por entre aqueles prédios e árvores, sentando-se nos telhados para ver o sol se por. E acho que esta parte de mim jamais sairá de Como. Quem sabe, um dia eu possa voltar lá para revê-la?  Foi um privilégio ter estado naquele lugar, ter visto o que eu vi e sentido o que eu senti.

Um dia, eu quero voltar a Como.



Como? Quando? Eu não sei. 





Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 29/09/2017


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