By Ana Bailune
"Toda a arte é completamente inútil." -  Oscar Wilde
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Generosidade


Alguns pensam que ser generoso significa dedicar todo o seu tempo ou dinheiro às outras pessoas, ou à alguma causa. Tenho admiração pelas pessoas que, sinceramente, e sem interesses próprios, fazem isso, embora eu não seja uma delas e não tenha nenhuma inclinação para ser. Eu creio que a maior missão de cada um, é fazer o melhor por si mesmo e pelas pessoas próximas, e se todos fizessem isso, bastaria para que a vida de todos fosse bem melhor.

Mas existem sempre os pequenos gestos que denotam um grande coração. Este canteirinho da foto é um deles.

Há alguns dias, eu vinha notando que o mato em volta do riacho que passa na rua próxima à minha casa, estava aos poucos sendo substituído por algumas plantinhas. A cada dia, havia menos mato e mais plantinhas. Pensei em quem poderia estar dedicando tempo e carinho àquele pedacinho de rua abandonado. Um dia, enquanto esperava o ônibus, vi o portão de uma casa se abrir, e um jovem munido de uma plantinha e uma pazinha atravessou a rua e colocou-a lá, no canteirinho.

Compreendi que ele era jardineiro e trabalhava na casa em frente àquela calçada, e que possivelmente aquelas plantinhas deveriam ser sobras do jardim. Não falei com ele, pois sou meio-tímida nessas situações, mas um dia meu marido o viu, e elogiou o jardim e o trabalho dele. Ele sorriu e agradeceu, dizendo: "Que bom que você gostou!"

Acredito que tal rapaz não ganhe um tostão para fazer o que faz. Poderia ter menos trabalho se simplesmente jogasse as sobras de plantas no lixo, como fazem a maioria dos jardineiros que vejo por aqui. Às vezes, eu vou lá aonde eles jogam as plantas e  recolho algumas, plantando-as em meus canteiros. 

Acho que o conceito 'generosidade' passa por aí: fazer alguma coisa bonita ou útil sem ganhar nada por isso, e sem propaganda. Acho que quando alguém faz alguma coisa boa e alardeia sobre isso, não é generoso, e sim orgulhoso. Eu o vi por acaso; eu estava ali na hora que ele saiu da casa. Ele me cumprimentou com um aceno de cabeça, plantou a flor e voltou para dentro da casa, como se aquilo não fosse nada.

Sempre pensei que o caminho para o que todos chamam de 'mundo melhor' passa pelas nossas próprias calçadas. É preciso que as mantenhamos limpas e desobstruídas; é preciso que não joguemos lixo nas ruas, não arranquemos as plantas dos jardins públicos e nem emporcalhemos paredes e monumentos; é preciso que, ao ouvirmos música, respeitemos o direito do nosso vizinho de não partilhar o nosso gosto musical e não ser obrigado a ouvir também. Isso se chama respeito, e quando respeitamos as regras, já estamos fazendo alguma coisa em não perturbar.

Mas plantar um jardinzinho em via pública, alimentar um cão de rua, pagar um almoço para alguém que está com fome, doar roupas para quem está com frio, escutar alguém que precisa de um amigo, dar uma informação para quem está perdido, entre tantas outras coisas, são gestos de generosidade.

Palmas para ele.


Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 18/04/2018
Alterado em 18/04/2018


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