Ela Passava
Ela passava e ia perdendo a inocência,
Arrastava as saias da ingenuidade
Pelo áspero chão da iniquidade
Sem saber o que podia encontrar.
Ela passava, cada vez mais indigente,
Carregando consigo o peso de ser gente
E a incapacidade de se fazer amar.
Ela passava; e o tempo ia com ela,
E por onde andava, iam fechando-se as janelas
E todas as portas, estrondosamente.
Ela passava, e não deixava nenhum rastro
Que resignificasse a sua insignificância.
Nenhum sinal, ou sequer, quem sabe, um lastro
Que justificasse a sua fosca rutilância.
