NEVERLAND
Uso minhas botas mágicas
Tentando chegar à Neverland.
Elas ficam enfileiradas
No meu armário de Nárnia
Separadas por cores.
São de couro, camurça ou fake,
Saltos flat ou bem altos.
Todos os dias de manhã,
Olho para elas e penso:
Qual delas irei calçar,
Qual delas trará a graça
De refrescar meu pensamento?
E cada uma me transforma,
Se adapta à minha máscara
Ao rosto que eu quero mostrar,
Ao rosto que eu quero esconder.
Tenho botas confortáveis
Que me levam para longe
Daquilo que eu não quero ver.
E tenho botas apertadas
Que ensinam resiliência
No momento de sofrer.
Tenho botas de jardim
Que eu uso ao caminhar
Por entre árvores e rosas.
E tenho as de cano alto
Que me ajudam a evitar
Os escorpiões e as cobras.
