Minha Nação
Em berço esplêndido,
Eternamente deitada,
Sem se dar conta de nada.
A juventude alienada
Com seus idolos de barro,
Tirando sarro da vida,
Indiferente, mas ressentida.
Os heróis que eles cultivam
Têm uma estranha abordagem:
Conquistam seus ardorosos fãs
Na banda podre da politicagem,
Através de promessas avessas
Que saem das línguas espessas
De uma eloquente bandidagem.
Eles não pensam no futuro,
O presente é o celebrado,
E lá na frente, no escuro,
Diante do caldo entornado,
Assim que a conta não fecha,
Existe sempre uma brecha
Para culpar o passado.
E cantam aos brados,
“Vivo en un país libre...”
Sem perceberem os elos
Que os mantém acorrentados;
Pequena Serenata Diurna,
Soturna voz que se ergue
Do coral dos conformados.
Direita, Esquerda, Esquerda, Direita,
Um pouco também ao Centro
E as portas fechadas, um triste momento
Em que vivemos na desgraça
Das falácias e das seitas!