EXPRESSÃO DA MINHA ALMA
Tudo aqui é sobre mim.
Textos

DELÍRIO

 

 

 

Seu corpo

É como uma oca vazia de chão batido,

A fileira de pó subindo

Em direção ao telhado de palha

Feito um desejo reprimido,

Pois que ninguém a toca.

 

As mãos percorrem a própria pele

Em busca de um sentimento antigo

De ser amada, de ser abrigo,

Enquanto os olhos fechados descortinam cenas

De tempos há muito tempo idos.

 

Ela sente a pele flácida nas pontas dos dedos,

Ela percorre as rugas como se fossem segredos,

E não as estradas óbvias que todos enxergam

Enquanto a observam; quanta ilusão!

 

O coração tomado por um princípio de delírio

É o que a salva da percepção da vida que lhe resta:

Uma embriaguez, uma sensação de que ainda há tempo,

Pois no seu relógio biológico, faltam ainda e sempre

Os mesmos cinco minutos antes do fim da festa.

 

Enquanto isso, a vida se desmancha,

Ninguém mais virá, e atrás da porta fechada

Ela ficará, na companhia fria

Dos mesmos velhos fantasmas que ela mesma cria.

 

E na história dela se descortinam

Todas as horas, todos os dias

Os dias da minha própria história.

 

 

 

Ana Bailune
Enviado por Ana Bailune em 12/07/2026
Alterado em 12/07/2026
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