TRANSBORDAR
Do meu vazio, eu transbordo,
Cheia de coisas que não sei guardar,
Vazia daquilo que tentei conter,
Transbordo simplesmente para não morrer.
Do alto da minha montanha, eu me calo,
Gritando por dentro o que não pôde ser,
Os muitos futuros que jamais virão
São fantasmas vivos em meu coração.
De dentro de mim, eu me espalho,
Raízes que tentam só sobreviver
Diante das portas que foram trancadas
Não há fechaduras, já não resta nada.
Ah, simples vontade de não ser assim!
Queria mudar o que não decidi,
Refutar destinos que não escolhi
Queria matar o que não é de mim!
Mas a própria vida me deu uma estrada,
E eu a sigo só, e sem olhar para trás...
Haverá, quem sabe, o dia da chegada,
Ou a branda certeza de um nunca mais?
