MOROSIDADE
Devagar a vida passa,
O tempo passa
Sob o alívio de uma brisa que assopra
Sobre as feridas.
Viver soturno,
Um rio preguiçoso e sem correntezas,
Dias que amanhecem e anoitecem
Cada vez mais cedo.
Passos pequenos, sorrateiros passos,
Passam adiante dos estendidos braços
Que só sabem sufocar
Sem se fazerem notar.
A minha existência só quer existir,
Esgotar o tempo que ainda há de vir
E então,
Descansar.
