Manequim
Da vitrina, observa o mundo real.
As pessoas passam, fitando seus olhos de vidro
Sem saber que são vistas.
Ele fica sempre ali,
Quando a loja fecha e as luzes se apagam,
Imóvel, mas vivo.
Ninguém sabe o que o manequim pensa.
Ele usa aquilo que alguém veste nele.
Às vezes, Inverno, noutras verão,
Aceita o que lhe vestem para manter-se calmo.
E eu o observo.
Sem jamais saber, realmente, o que ele pensa,
O que ele sente de verdade,
Como me enxerga,
Se concorda comigo ou não,
Sempre o mesmo sorriso pintado,
O olhar vago de vidro, os ombros caídos,
As mãos e os pés sempre em posição
De quem vai a algum lugar
Que não sabe onde é.
Dói não saber o que ele pensa,
Dói não saber como ele me vê,
Dói não saber se ele me aceita,
Ou se apenas quer manter sua posição
Na vitrina
Para ser admirado pelos que o olham,
Mas jamais enxergam o que vai
Em seu coração de gesso.
🤍